Em busca de uma liderança verdadeira

Há um desencanto na vida profissional de muitos executivos bem treinados e qualificados. Para garantir sua tranquilidade material, acabam vítimas da carência de paz de espírito, com uma sensação de vazio existencial. Durante quase trinta anos também fui um executivo, dirigi grandes empresas e estudei em algumas das melhores escolas de negócios do mundo, incluindo a FDC. Hoje, me dedico a Conselhos de Administração e à atividade de coaching.

Com essa mudança de perspectiva, pude constatar que o desencanto dos executivos se deve, entre outras coisas, à falta de uma verdadeira liderança. Não me refiro a uma pessoa carismática e superior, que sabe conduzir seu grupo pelos caminhos e descaminhos do universo corporativo, mas ao fenômeno da liderança – a capacidade de um grupo se tornar um time coeso (catalisado por alguém com a legitimidade do poder estabelecido) e trabalhar em prol de uma causa. Uma causa que faça sentido, que realmente mobilize e transmita alegria no processo de dedicação a ela.

Tudo isso acontece porque, muitas vezes, há um foco exagerado nos resultados de curto prazo, ou uma visão estreita do que é mais conveniente (do ponto de vista pessoal) e não do que é importante para o negócio. Chefes que não compreendem a grandeza de trabalhar em equipe e reforçam sua insegurança “rebaixando” quem está ao seu lado. Executivos alçados a essa condição porque sabem obter resultados a qualquer custo, fugindo completamente da ética. E o pior, sem consciência do que estão fazendo!

O educador mundialmente conhecido José Pacheco, fundador da Escola da Ponte, em Portugal, me deu recentemente uma lição sobre o verdadeiro papel do líder. Referindo-se aos quatro pilares da UNESCO para a educação (aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser), comentou que precisamos acrescentar mais três pilares: aprender a desconstruir, aprender a desobedecer e aprender a desaparecer.

Descontruir, porque há muitos paradigmas formados por ideias preconcebidas e ultrapassadas – precisamos superar esses modelos anacrônicos. Desobedecer, porque muito do que nos é imposto vem pela lógica do interesse limitado, mesquinho e, nessas horas, é preciso coragem para desobedecer. E, finalmente, a principal atitude de um verdadeiro líder – “desaparecer” para que o time ganhe ascensão. Dar suporte à equipe e fazer com que as decisões do grupo possam emergir, num debate de ideias que leve a uma posição superior pela soma das diversas visões que se complementam. Os choques de egos são trabalhados para que não ofusquem os choques de ideias.

Nesse universo limitado de verdadeiros líderes, as empresas conseguiram um paliativo com o coach. A utilização cada vez maior desse recurso indica que a falha na atuação dos líderes vem sendo compensada por uma espécie de “líder postiço”. Falo de cátedra. Tenho procurado tapar os buracos das falhas de liderança, ajudando executivos a reencontrarem sua razão de ser no trabalho, atingindo resultados sem perder o brilho nos olhos ou abrir mão de uma boa vida pessoal e profissional.

Considero impossível desenvolver catalisadores de processos de liderança que não tenham passado pelo duro processo do autodesenvolvimento. Primeiro como pessoas, depois como excelentes profissionais e, em seguida, como líderes de sua própria vida. Como alguém pode ajudar os outros se não consegue lidar consigo mesmo?

A supervalorização da lógica e do racionalismo tirou de muitas pessoas a possibilidade de compreender o ser humano de forma integral. Por isso, se tornaram chefes parciais, limitados pela visão cartesiana, em que tudo funciona como um relógio mecânico. Esse é o nó atávico ao qual nos prendemos. Aprendemos as habilidades técnicas, mas deixamos de lado a profundidade do nosso ser. E, assim, seguimos contratando coaches, na tentativa de compensar o incompensável.

Está mais do que na hora de revermos nossos pressupostos sobre o mundo dos negócios!

 

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